A Imigração Italiana


Desde o descobrimento, italianos procuravam para o Brasil em busca de novas oportunidades, mas até o final do século XVII, a vinda deles era insignificante, em termos numéricos. O Brasil vivia o período da colonização e não se podia falar, ainda em imigração. Data desse período a chegada das primeiras famílias italianas: os Dória, os Cavancanti, os Accioli e os irmãos Adorno que, saídos da Itália por motivos políticos dedicaram-se à produção de açúcar.

Ao longo do século XVIII, apesar das leis coloniais que restringiam a entrada de estrangeiros nas colônias portuguesas, o Brasil assiste à chegada de marinheiros, viajantes, políticos, membros da Igreja, mercadores, cientistas e artistas procedentes dos países europeus, entre os quais a Itália. Eram homens que, por motivos políticos ou de trabalho, ou até mesmo pelo espírito de aventura, deixavam seus países e para cá se dirigiam na tentativa de iniciar uma nova vida, numa movimentação isolada e ocasional. O deslocamento organizado de italianos para o Brasil só terá início no começo do século XIX.

A partir de 1870, a corrente imigratória para o Brasil se intensifica, transformando-se num fenômeno de massa. Entre 1887 e 1920, chega um enorme contingente de estrangeiros e mais da metade era de italianos que se fixaram no Estado e na cidade de São Paulo, assegurando, num primeiro momento, a produção do café e, posteriormente, ajudando a viabilizar a implantação da indústria.

As condições na Itália

As principais razões que levaram um grande número de italianos a emigrar foram o crescimento populacional e o processo de unificação da Itália, associadas à pequena área territorial e a uma topografia muito acidentada, que impedia a expansão da agricultura.

Por volta de 1860, o país era constituído por um grupo de províncias habitadas por vários grupos étnicos. Entre 1860 ee 1870, após várias guerras, as províncias foram unificadas, formando o reino da Itália, com Roma como sua capital.

Os primeiros tempos do reino foram de adaptação às novas condições e fatores sócio-econômicos geraram uma grave crise, que atingiu todo o território. A população italiana, essencialmente rural, vivia em péssimas condições. A concentração das terras cultiváveis nas mãos de poucos proprietários, a introdução de modernas máquinas no campo e de novos métodos de produção nas cidades, reduziram o número de empregos.

Após a unificação, em 1870, pagavam-se impostos sobre quase tudo, até sobre os produtos que os agricultores cultivavam para seu próprio consumo e sobre os animais domésticos. A terra, pesadamente tributada, endividou os pequenos produtores, que perderam suas propriedades. A ganância do governo era tão grande que, em certas regiões, chegava-se a pagar até 31% sobre tudo o que era produzido.

Com impostos elevados, os grandes agricultores ofereciam os produtos a preços inferiores aos de mercado. Empobrecidos, endividados e sem alternativa, os pequenos proprietários abandonavam suas terras e seguiam para as cidades, passando a conviver com novos problemas: desemprego, marginalidade, fome.

A emigração passou a representar a única possibilidade de sobrevivência para essas pessoas e a válvula de escape para resolver seus problemas. O próprio governo italiano começou a incentivá-la: uma parte do povo precisava partir para que a outra parte pudesse sobreviver.

As condições no Brasil

A proibição do tráfico de escravos (1850), a Lei do Ventre Livre (1871), a Lei dos Sexagenários (1885) e o crescimento da campanha pela abolição da escravatura que acontece em 1888, foram os principais fatores que desencadearam o estabelecimento de uma política voltada para a criação de alternativas para o trabalho escravo.

Em 1840, o café começa a substituir o açúcar como principal produto de exportação e a necessidade de mão-de-obra para a lavoura do café aumenta sobretudo no Estado de São Paulo, onde era constituída quase que somente por escravos. Várias medidas são adotadas pelo governo brasileiro para atrair europeus, entre elas o direito de trazer imigrantes que, antes sob controle do governo imperial, é concedido aos estados.

São Paulo estabelece então sua própria política de imigração. Os fazendeiros se unem e fundam, em 1886, a Sociedade Promotora de Imigração. Criam-se cartazes, folhetos, livros e fotografias apresentando o Brasil, para serem distribuídos na Europa por agências contratadas pelo Comissariado do governo brasileiro. O governo paulista assume os custos da vinda dos imigrantes, financiando as passagens. A propaganda intensa feita pelos agentes e pelas companhias de navegação, as promessas de moradia, alimentação, salário e possibilidade de compra de terras, mais a passagem paga, influenciam a emigração voluntária de europeus, principalmente italianos, gerando um êxodo em massa de certas regiões da Itália.

De onde partiram os italianos

Grande parte dos italianos que imigraram para o Brasil eram do norte e do sul da Itália. Do norte veio o maior contingente no período de 1876 a 1920 (os vênetos eram um terço do total). De 1876 a 1886 a primazia pertenceu ao Vêneto, ao Piemonte e à Lombardia -- essas três regiões do norte forneceram, sozinhas, 65% do total de emigrantes nesse período. Entre 1887 a 1890, os vênetos continuam em primeiro lugar, mas são acompanhados agora por italianos do sul: Campania, Basilicarta, Calabria e Sicília. Em menor número vieram os habitantes da Itália central: Abruzzo, Molise, Lazio e Umbria.